O futuro da logística frigorificada no Brasil

Entrevista de Patrick Pimentel ao LOG TV (Tecnologística). Assistir no YouTube ↗
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Em entrevista ao LOG TV, canal da revista Tecnologística, conduzida por Shirley Simão, Patrick Pimentel, CEO da Friovale, falou sobre como a logística de alimentos está evoluindo no Brasil e o papel dos operadores frigorificados nessa cadeia. Da automação com inteligência artificial à eletrificação de caminhões, a conversa mostra para onde caminha a armazenagem frigorificada no país. Reunimos abaixo os principais pontos — com as palavras do próprio Patrick.

De depósito a solução completa: como o mercado mudou

O primeiro ponto levantado por Patrick foi a transformação no papel do armazém frigorificado. O que antes era visto apenas como um espaço para guardar produto, hoje é esperado como uma operação integrada de ponta a ponta.

Antes, o armazém era olhado apenas como um centro de depósitos. Hoje, o cliente espera muito mais que isso. Ele quer uma solução completa, o cliente busca velocidade, rastreabilidade, flexibilidade e integração com o sistema operacional dele.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

Para dar conta dessa exigência, segundo ele, é preciso investir continuamente em software, pessoas e conhecimento. A Friovale atende diversos segmentos — proteína, suco, food service, agronegócio e ração animal — e cada um tem necessidades específicas que precisam ser adaptadas para integrar ao sistema do cliente.

Terceirização logística: foco no core business

Outro movimento forte do setor é a terceirização da operação logística. Grandes indústrias e players preferem entregar a armazenagem a operadores especializados para focar naquilo que é o coração do seu negócio.

Hoje, as grandes fábricas, os grandes players, querem terceirizar a logística para focar no core business dele e aí ele acaba contratando os operadores para poder fazer esse trabalho.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

Interior de São Paulo: o novo polo da matéria-prima

Localizada no interior paulista, a Friovale está no centro de uma dinâmica que aproximou interior e capital. Enquanto as capitais concentram o consumo, o interior se firmou como base de matéria-prima.

No interior, você vai ter uma cadeia muito forte de matéria-prima. Então o interior passou a ser um potencial para poder armazenar essa matéria-prima e atender as grandes demandas do polo consumidor, que são as capitais.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

Eficiência energética virou sobrevivência

A câmara fria é uma operação intensiva em energia — e é aí que mora um dos maiores diferenciais competitivos. Patrick foi direto ao explicar por que a eficiência deixou de ser opcional.

A câmara fria consome muita energia e a eficiência virou sobrevivência. Se você não tiver uma eficiência energética, você vai ficar sem competitividade, porque você vai ter um custo muito alto do teu negócio.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

A resposta da Friovale foi automatizar a sala de máquinas e implementar um sistema com inteligência artificial que monitora, em tempo real, todos os dados dos compressores — temperatura, pressão de óleo e demais parâmetros — gerando insights para que o operador atue de forma preventiva. Em vez de checar válvula por válvula, o operador passa a ter uma visão macro da operação, com a IA acompanhando cada variação.

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A Friovale opera multitemperatura, com automação, monitoramento por IA e rastreabilidade — preparada para atender proteína, suco, food service, agro e ração animal.

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Energia solar e o desafio da rede

Na frente energética, a Friovale já compra energia de fontes limpas no mercado livre e prepara a própria geração solar. Mas Patrick explicou um entrave real do modelo brasileiro atual.

Hoje no Brasil você não consegue mais injetar solar no sistema porque o sistema já tá saturado. Sobra energia de dia e falta energia à noite. Então a gente tá fazendo uma usina solar pra atender a nossa demanda do dia, e à noite nós vamos continuar consumindo da rede.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

Na prática: geração solar própria durante o dia, rede elétrica à noite — e economia nos dois cenários.

IA que elimina o trabalho repetitivo

Além da sala de máquinas, a inteligência artificial também entrou nos processos operacionais. Tarefas repetitivas que antes exigiam mão de obra estão sendo automatizadas.

Um exemplo citado por Patrick: o relatório de fotos que comprova como o produto do cliente chegou ao armazém — um procedimento de qualidade. Hoje, a IA busca automaticamente as imagens registradas pelo colaborador, monta o relatório e entrega ao cliente, sem intervenção manual. Outros processos já foram mapeados e serão implementados um a um.

Expansão: por que a Friovale amplia o armazém seco

Um ponto que costuma passar despercebido: a Friovale é multitemperatura, não apenas congelado. E é justamente o armazém seco que está sendo ampliado.

O cliente quer um trabalho completo. Se ele tem o congelado, ele sempre vai ter um resfriado, um seco. Nós atendemos o cliente como um todo. Tá tendo muita demanda por armazém seco, e ele tá 100% ocupado.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

Os desafios do setor: energia, insegurança jurídica e mão de obra

Questionado sobre as maiores dificuldades, Patrick apontou a imprevisibilidade como o entrave central — especialmente na energia.

A imprevisibilidade jurídica é um entrave muito grande. Do dia pra noite a energia muda o modelo matemático do cálculo, a energia passa a ser 30% mais cara, e não tem o que você fazer.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

A escassez de mão de obra qualificada — um desafio que atinge também o interior, com treinamento e turnover — completa a lista. Para enfrentá-la, a Friovale mantém um programa de geração de líderes, formando pessoas internamente.

Mobilidade elétrica: caminhões que carregam na própria doca

Entusiasta da mobilidade elétrica (ele tem carro elétrico desde 2020), Patrick vai instalar um carregador na entrada da empresa para atender caminhões elétricos que abastecem os clientes — e terceiros também. A lógica operacional é elegante:

Enquanto o caminhão tá na doca, sendo abastecido com os produtos, ele tá carregando energia e já sai pronto pra rodar os seus 200, 300 quilômetros, que numa distribuição é o raio que ele precisa.

Patrick Pimentel, CEO da Friovale

E o benefício econômico é direto: segundo ele, carregar é muito mais barato que o diesel — ainda mais combinado com energia solar ou compra no mercado livre — sem a oscilação constante do preço do combustível e poluindo menos.

Conclusão

A entrevista de Patrick Pimentel ao LOG TV reforça uma leitura que a Friovale vive na prática: a logística frigorificada brasileira caminha para ser mais tecnológica, mais eficiente e mais sustentável. Automação, inteligência artificial, energia solar e frota elétrica deixaram de ser promessa e viraram operação. E, nesse futuro, quem cuida bem da cadeia do frio protege muito mais do que um produto — protege o negócio dos clientes.

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